Na Bienal do Livro Bahia, Aline Bei discute sobre escrita que mistura poesia e romance com mulheres no centro da narrativa
20/04/2026
(Foto: Reprodução) Aline Bei discute escrita sem rótulos e personagens femininas na Bienal do Livro Bahia
Dona de uma escrita que flerta com a poesia mesmo quando assume a forma de romance, Aline Bei tem obras marcadas pela mistura de gêneros e pela construção de personagens densos e introspectivos. Seu livro mais recente, "Uma Delicada Coleção de Ausências" (2025), aborda temas como maternidade, infância, individualidades, traumas e mágoas.
A escritora foi uma das atrações da Bienal do Livro Bahia, no domingo (19). Ela participou da mesa "Evocar memórias, recriar mundos: do que é feita a literatura" ao lado da autora Andréa del Fuego.
A Bienal acontece até a terça-feira (21), no Centro de Convenções Salvador, na Boca do Rio. Veja a programação desta segunda-feira (20).
Em entrevista exclusiva ao g1, Aline comentou sobre as características de sua escrita. Segundo ela, a percepção de que seus textos não se encaixavam em categorias tradicionais surgiu ainda no início da carreira.
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Aline Bei na Bienal do Livro Bahia 2026
Reprodução/TV Bahia
A autora contou que começou a escrever durante a graduação em Letras, na Pontifícia Universidade Católica (PUC), onde publicava textos em uma revista acadêmica. Inicialmente, suas produções eram inseridas na seção de poesia, mas passaram a receber comentários de leitores que não as reconheciam como integrantes do gênero. Ao migrar para a seção de contos, a reação se repetiu.
“Gostavam do que eu escrevia, mas diziam que eu não cabia em um gênero específico”, afirmou.
A partir dessas experiências, Bei passou a compreender sua inclinação para transitar entre os gêneros literários. “Comecei a absorver essa vocação natural que eu tinha para a fronteira, e isso foi se transformando, em alguma medida, no meu trabalho”, explicou.
Outro ponto destacado por Aline foi a construção de personagens, especialmente mulheres atravessadas por conflitos internos e silenciosos. Questionada sobre o processo criativo, a autora ressaltou o aprofundamento gradual nas camadas psicológicas.
“São muitos anos escrevendo. Eu mergulho em uma espécie de espessura do personagem e vou adentrando camadas que, às vezes, para elas também estão escondidas, mas que a história revela como uma potência”, disse.
A autora também relaciona o silêncio presente em suas personagens a traumas de origem geracional, que nem sempre encontram expressão imediata. “Essas mulheres vão tentando dar contorno para isso, não serem definidas por isso, mas, de certa forma, o livro vai falar justamente desses abandonos”, concluiu.
Aline Bei durante sessão de autógrafos na Bienal do Livro Bahia 2026
Reprodução/TV Bahia
Bienal do Livro Bahia
Com o tema "Bahia: identidade que ecoa nos quatro cantos do mundo”, a Bienal do Livro Bahia 2026 conta com a presença de escritores renomados como Julia Quinn, Paula Pimenta, Ailton Krenak, Thalita Rebouças, entre outros.
Bienal do Livro Bahia 2026: confira tudo que precisa saber para curtir o evento literário em Salvador
Neste ano, o evento ganhou uma data extra em relação à edição anterior. A expectativa da organização é reunir mais de 120 mil visitantes em sete dias, superando o recorde de 2024, que recebeu 100 mil pessoas.
A classificação etária do evento é de 14 anos. Menores dessa idade poderão participar, desde que estejam acompanhados pelos pais ou responsáveis legais.
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